As Sombras do Tempo: As origens

As Sombras do Tempo

As origens

Ao observar o Sol ao longo do dia, cedo o homem terá notado que este parece mover-se e terá aprendido a julgar, pela sua luminosidade e posição, a aproximação da noite.

Terá também notado que

Estes factos estiveram certamente presentes na invenção do relógio de Sol.

Os mais antigos relógios de Sol terão surgido no Egipto ou na Mesopotâmia, desde 3000 a.C, mas a China ou as civilizações Maia, Inca e Azteca também por essa altura, ou um pouco mais tarde, desenvolviam instrumentos semelhantes.

O estudo dos exemplares encontrados no Egipto, de cerca de 1500 anos a.C., revela que todos eles davam indicações de tempo muito imprecisas.

Modelo análogo ao que o faraó Thutmosis III (1501 a 1448 a.C.) terá levado nas suas viagens. É o mais antigo relógio de sol conhecido. Com cerca de 30 centímetros de comprimento, era constituído por duas pedras A e B, sendo B em forma de L deitado. As marcações horárias gravadas em B correspondiam a diferentes alturas do sol. O modelo era orientado de forma que a B ficasse em oposição ao sol.

Os relógios de sol com gnómon e escalas tinham, de início, funções de calendarização. A observação nestes instrumentos do trajecto executado pela extremidade da sombra fornecia informações relativas aos meses ou aos dias equinociais. A divisão do dia só mais tarde aparece neste tipo de instrumentos, mas as indicações horárias dependiam das estações, o que limitava significativamente a sua utilidade.

Esse problema foi resolvido quando o gnómon passou a ser colocado paralelamente ao eixo de rotação da Terra. Não se sabe ao certo em que momento se começaram a construir exemplares com estas características, mas num mosaico originário de Pompeia, portanto anterior ao ano 79 d.C., parece estar representado um relógio de Sol com gnómon inclinado.

A gnomónica, ciência que se ocupa da construção de relógios de Sol, teve grande desenvolvimento na Grécia Antiga, fruto dos progressos alcançados no estudo da trigonometria. Este ramo da matemática ocupa-se do estudo das relações entre os lados e ângulos de triângulos planos e esféricos, permitindo assim medir distâncias inacessíveis. Os romanos contactaram com esta ciência através dos gregos e, depois da conquista da Grécia, trouxeram para Itália relógios de Sol. Ignorando que estes estavam construídos para outras latitudes, continuaram a servir-se deles em locais públicos, nomeadamente em Roma.

Os primeiros relógios de Sol terão entrado no território que é hoje Portugal através da conquista romana, mas é grande a raridade e escassez de referências a esse tipo de artefactos.

Relógio romano de tipo cónico e gnómon horizontal
encontrado em Freiria.

Com o declínio do Império Romano os relógios de Sol caíram em desuso na Europa, tendo sido reintroduzidos pelos árabes no século XI. Largamente disseminados por todo o país, integrados em empenas e cunhais de igrejas e casas ou como elementos independentes em jardins e varandas, os relógios de Sol desempenharam um papel fundamental no ajuste dos relógios mecânicos, que se desenvolveram na Europa Ocidental a partir do século XIII. Embora os relógios mecânicos se tenham tornado relativamente populares a partir do século XVIII, a sua exactidão deixava muito a desejar, servindo os relógios de Sol para os acertar.

A generalização do uso dos relógios mecânicos foi remetendo o relógio de Sol ao papel de simples adorno.